Organizando minhas próprias engrenagens
As pessoas são diferentes.
Demorei a entender isso. Por muito tempo, cometi o erro silencioso de achar que todo mundo funcionava exatamente como eu. Acreditava que a empatia, o cuidado e a entrega que eu oferecia eram o padrão universal, em todas as relações.
Na vida profissional, isso deu quase sempre certo. Na fotografia afetiva, onde já acolhi tantas pessoas, aprendi a ler o outro rapidamente, a criar conexões genuínas e a fazer com que cada um se sinta seguro e bem acolhido. Sei dar atenção. Sei cuidar.
O problema é quando levo essa mesma lógica para o lado pessoal.
Sem perceber, acabo tratando relações afetivas e possíveis amizades igual aos meus clientes. O meu objetivo automático passa a ser o mesmo: fazer o outro feliz, acolher, zelar pelo bem-estar. Eu entrego tudo porque quero. Eu acolho porque está na minha essência.
Quem olha de fora pode achar simples. Podem dizer: "Então é só sair dessas relações e ir para onde te tratam bem". Mas a verdade é que não é raso viver isso. Não é por querer que a gente aposta errado, que a gente se entrega torto ou que investe energia em quem não nos enxerga.
Fazer e manter laços é um trabalho árduo, exaustivo. Existe uma engrenagem interna que não sabe ser superficial, que se esforça o dobro para pertencer, mas que carrega o peso invisível de um radar hiperativo para a rejeição. Qualquer mínimo sinal de distanciamento pesa como uma falha profunda.
Por isso, no fundo, crio uma expectativa silenciosa. Quando preciso de acolhimento, de reciprocidade ou de um olhar atento na mesma medida, o retorno não vem. Muitas vezes, a pessoa nem sequer me reconhece na forma como a considero. E a frustração desaba.
É um ciclo pesado.
Dar sem medida esperando encontrar eco, e esbarrar no silêncio da diferença alheia.
Mas aqui não existe o certo e o errado.
Existe a autorregulação que nos ajuda a olhar com mais clareza e a progredir nas situações da vida.
Existe o entendimento de que
As pessoas são diferentes.
Grazi Luz
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