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Organizando minhas próprias engrenagens

​As pessoas são diferentes. ​Demorei a entender isso. Por muito tempo, cometi o erro silencioso de achar que todo mundo funcionava exatamente como eu. Acreditava que a empatia, o cuidado e a entrega que eu oferecia eram o padrão universal, em todas as relações. ​Na vida profissional, isso deu quase sempre certo. Na fotografia afetiva, onde já acolhi tantas pessoas, aprendi a ler o outro rapidamente, a criar conexões genuínas e a fazer com que cada um se sinta seguro e bem acolhido. Sei dar atenção. Sei cuidar. ​O problema é quando levo essa mesma lógica para o lado pessoal. ​Sem perceber, acabo tratando relações afetivas e possíveis amizades igual aos meus clientes. O meu objetivo automático passa a ser o mesmo: fazer o outro feliz, acolher, zelar pelo bem-estar. Eu entrego tudo porque quero. Eu acolho porque está na minha essência. ​Quem olha de fora pode achar simples. Podem dizer: "Então é só sair dessas relações e ir para onde te tratam bem" . Mas a verdade é que não...

A arte de educar (Rubem Alves)

  Educar é mostrar a vida a quem ainda não a viu. O educador diz: “Veja!” e, ao falar, aponta. O aluno olha na direção apontada e vê o que nunca viu. Seu mundo se expande. Ele fica mais rico interiormente… E ficando mais rico interiormente ele pode sentir mais alegria – que é a razão pela qual vivemos. Já li muitos livros sobre Psicologia da Educação, Sociologia da Educação, Filosofia da Educação… Mas, por mais que me esforce, não consigo me lembrar de qualquer referência à Educação do Olhar. Ou à importância do olhar na educação, em qualquer um deles. A primeira tarefa da Educação é ensinar a ver… É através dos olhos que as crianças tomam contato com a beleza e o fascínio do mundo… Os olhos tem de ser educados para que nossa alegria aumente. A educação se divide em duas partes: Educação das Habilidades e Educação das Sensibilidades. Sem a Educação das Sensibilidades, todas as habilidades são tolas e sem sentido. Os conhecimentos nos dão meios para viver. A sabedoria nos dá razões ...

A fotografia é para quando não der mais para repetir

Rubem Alves dizia que a primeira tarefa da educação é ensinar a ver. Ver o invisível. Ver a beleza escondida nas coisas simples. Na fotografia acontece o mesmo. O que faz sentido não é apenas o clique da câmera, mas o olhar que enxerga a criança como ela é: inteira, curiosa, única. Quando fotografamos com respeito, não registramos apenas uma imagem. Registramos a sensação de ser visto. E para a criança, ser vista é se sentir amada. Fotografar é educar com o olhar. É ensinar que o mundo é belo, que o tempo importa, que a memória é casa onde o afeto se abriga. Eu digo que a verdadeira fotografia não é para o agora, mas para o futuro. Quando a criança crescer, olhar para si mesma e reviver histórias através de uma fotografia. Grazi Luz